Folha informativa N.º 6 /2010
Comissão Desenvolvimento Regional PCP-DORP
Desemprego em Agosto: Crescimento homólogo e Crescimento no mês
Os números do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) continuam a mostrar que o flagelo do desemprego, ao contrário do que querem fazer crer os governantes, não dá mostras de inverter o seu ciclo de crescimento. Em Agosto, mês em que o Eurostat informou que Portugal atingiu o recorde histórico de 11,0% na sua taxa de desemprego, existiam em Portugal quase 550 mil desempregados, o que significa uma subida, face ao mesmo mês do ano anterior, de 9,6%, e um acréscimo de 0,3% em relação ao mês precedente.
Também na região Norte e no distrito do Porto o crescimento se regista nas duas vertentes. Embora a subida homóloga seja ligeiramente mais baixa do que a média nacional (8,6% no Norte e 8,0% no distrito do Porto), a subida mensal foi mais acentuada (0,9% e 0,8%, respectivamente). Porém, e como é habitual, as realidades concelhias são bastante díspares, verificando-se subidas bastante mais significativas em determinados municípios, normalmente situados no interior do distrito, onde a crise bate mais forte. Acima da média nacional, houve um crescimento homólogo de 11,5% em Baião, 15,6% no Marco de Canaveses, 10,1% em Penafiel, 10,4% em Valongo e 12,3% em V. N. de Gaia. Invulgar o facto de em Felgueiras se ter registado uma descida homóloga de 2,1%, facto único a nível do distrito e seguramente raro a nível nacional. Em termos mensais, de salientar a subida significativa, e bastante
acima da média nacional e mesmo distrital, de Paredes (1,6%), Santo Tirso (2,3%), Trofa (2,8%), Valongo (2,0%) e V. N. De Gaia (1,7%).
Desemprego feminino e Desemprego de de longa duração: a mesma tendência de agravamento
Depois de analisarmos os valores do desemprego através dos números do IEFP, é importante olhar com atenção algumas das vertentes analisados por aquela instituição e que revelam situações que se agravam continuamente. Assim, observemos o que se passa com o desemprego das mulheres e o de longa duração (acima de um ano).
No que respeita ao desemprego feminino verifica-se que, dentro deste flagelo social, são as mulheres as que mais sofrem as agruras do desemprego. Dos 549 654 desempregados existentes em Portugal, no final de Agosto, 301 311 são mulheres, ou seja, 54,8% do total. Mas esta proporção é agravada na região Norte onde 58,1% do desemprego é feminino, sendo de 57,4% no distrito do Porto. Isto significa que mais de metade dos desempregados são mulheres, embora, analisando, os números concelhios se registam situações perfeitamente aberrantes e que atingem valores que ultrapassam os dois terços no desemprego feminino. Baião (74,9%), Amarante (70,5%), Marco de Canaveses (67,0%) e Trofa (65,1%) são as situações de maior desigualdade no desemprego por género.
Por outro lado, outro fenómeno que se agrava dia a dia e que deveria merecer uma atenção muito particular dos poderes públicos é o que sucede com os que se encontram desempregados há mais de um ano. E acreditamos que estes números do IEFP devam estar calculados por defeito porque é nesta faixa de desemprego onde mais se faz sentir a desistência, de que resulta o seu apagamento das estatísticas. O quadro dá nota dos números de Agosto de 2009 e 2010 onde é visível o crescimento exponencial do desemprego de longa duração, mais evidente a Norte e no distrito do Porto.
Desemprego de longa duração
Para além do facto de trabalhadores que estão desempregados há mais de um ano já serem mais de 40% do total do desemprego em Portugal (50% no distrito do Porto), regista-se um enorme crescimento no espaço de um ano. O acréscimo entre 2009 e 2010 ultrapassa, em qualquer dos casos, os 35%, um número inconcebível (no mesmo período, como vimos, o desemprego total subiu 9,6%).
Como sempre, se analisarmos os números concelhios verificamos situações ainda mais dramáticas, como são os exemplos de Santo Tirso onde o desemprego de longa duração representa 57,4% do total, da Trofa (55,4%), de V. N. de Gaia (54,9%) e Baião (53,1%).
Diminuição do emprego em Portugal atingiu 1,5 % no 2º trimestre deste ano
O Eurostat, na sua análise ao emprego no 2º trimestre de 2010, conclui que Portugal teve um decréscimo homólogo de 1,5% (o 5º mais elevado da zona euro), e uma descida face ao trimestre anterior de 0,6%. Isto num quadro de estabilização do emprego na UE, onde se registou uma ligeira baixa homóloga de 0,6%, mas uma variação nula em relação ao trimestre precedente.
Mais grave o facto de, desde o 3º trimestre de 2009 Portugal estar a perder emprego sucessivamente, face ao trimestre homólogo. Assim, no 3º trimestre de 2009 a quebra foi de 3,1%, no 4º trimestre do mesmo ano foi de 2,8%, no 1º de 2010 de 1,7% e, agora, no 2º deste ano, de 1,5%. A destruição de emprego é constante, conduzindo, entre outras consequências, a um contínuo aumento do desemprego, para o qual o quadro político vigente não oferece soluções.
2010 Setembro
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
Concerto comemorativo do Centenário do Mosteiro de Cete como Monumento Nacional
Decorreu hoje (9 de Outubro) e foi uma cerimónia bastante bem conseguida. Contou com a ausência dos autarcas com mais responsabilidade no Concelho (ah, se fosse na campanha eleitoral ou se fosse um jogo de futebol...)
Comentário:
Relembra-se que a sua realização resultou em grande parte do alerta do PCP Paredes para a necessidade de se assinalar a data. A Junta de Freguesia de Cete e a Rota do Românico compreenderam a necessidade e claramente estiveram bem. O Sr. Manuel Ferreira Coelho, ilustre cetense, colaborou acertadamente divulgando parte dos seus estudos sobre o Mosteiro. O Sr. Padre da Freguesia também esteve presente e empenhado. A parte cultural foi muito enriquecida com a intervenção brilhante do Grupo Coral litúrgico de Cete e do Orfeão de Rio Tinto. O Povo acorreu em bom número.
Das ausências, sublinha-se a dos autarcas mais importantes do Concelho (uma razia...), do vereador da Cultura da Câmara, da Deputada residente em Cete, de personalidades com curriculo na defesa do património e da cultura, de responsáveis políticos, da comunicação social local e regional, de professores, da própria Igreja. Não estiveram, nem se fizeram representar. Afinal a defesa e promoção do património histórico e cultural para a elite política e social de Paredes não passa de um adereço a colocar em momentos oportunos.
Quem não tem cultura histórica e não preza a identidade das suas gentes, não passará de um vendedor de ilusões, quando se pretende um criador de futuro.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
A caminho da canonização...
José Sócrates tem tido recentemente manifestações de autêntico fervor religioso como se pode ver em Alfragide (Amadora) e na Madeira. Consta até já ter tentado ir para cima de uma azinheira, mas foi avisado de que a sua situação é instável e que a época dos milagres "socialistas" já tinha expirado.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
HUMOR GALEGO + MOÇÃO CONTRA AS PORTAGENS
HUMOR GALEGO
MOÇÃO
Permanecem as razões substantivas contra aquela taxa, como a não existência de alternativas e com o desenvolvimento socioeconómico da região. Relembra-se que em Novembro de 2009, o Governo PS definia, no programa de Governo que apresentou na Assembleia da República que «quanto às SCUT `s deverão permanecer como vias sem portagem, enquanto se mantiverem as duas condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação: 1) localizarem-se em regiões cujos indicadiores de desenvolvimento socioeconómico sejam inferiores á média nacional; e 2) não existirem alternativas de oferta no sistema rodoviário.
Recentemente dirigentes de associações empresariais que representam 40. 000 empresas do Norte de Portugal e Galiza admitiram mesmo avançar para os tribunais para travar as portagens.
As próprias isenções e descontos inventados pelo Governo numa pretensa discriminação positiva para os utentes habituais das SCUT`s não são idênticas em todo o País, “favorecendo” concelhos no Algarve a 200 km da via e a norte só no limite de 30 km da via, bem como a taxa de portagem que está relacionada com o numero de pórticos. A data de inicio da cobragem é diferente, diferentes são os critérios e as taxas.
A persistência da luta já fez o Governo recuar várias vezes. A Assembleia Municipal de Paredes, na linha de continuidade de anteriores posições, manifesta a sua oposição à introdução de portagens nas SCUT`s, nomeadamenrte na A41/A42.
(MOÇÃO APROVADA NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PAREDES, COM OS VOTOS CONTRA DA BANCADA PS)
domingo, 3 de outubro de 2010
REFLEXÃO SOBRE A REVOLUÇÃO REPUBLICANA DE 1910
(intervenção em Sessão Comemorativa na Assembleia Municipal de Paredes, de 5 de Outubro de 2010)
Num momento em que passam cem anos sobre a Revolução Republicana de 1910, sublinha-se o significado desta data enquanto marco importante na longa caminhada do povo português pela sua libertação.
A vitória da Revolução Republicana de 1910 pôs fim a um regime monárquico anacrónico e parasitário e realizou importantes progressos no plano das liberdades e direitos fundamentais, da educação e da cultura, da laicização do Estado e dotou o país de uma Constituição avançada para a época, a Constituição de 1911.
Valorizamos tudo quanto de democrático e progressista foi alcançado e combate com firmeza linhas de ataque reaccionárias, que visam justificar o golpe militar de 1926 e a instauração do fascismo e o branqueamento dos seus crimes. Não é por acaso que, sob a bandeira do 5 de Outubro, tiveram lugar importantes jornadas de unidade e resistência anti-fascista. Mas ao mesmo tempo rejeita as visões acríticas e idílicas do republicanismo e da República que predominam nas comemorações oficiais do centenário da Revolução de 1910, reconhecendo os limites desta revolução e do regime que implantou no país.
É neste quadro que, ao longo do ano, o PCP vem assinalando este acontecimento com um variado conjunto de iniciativas orientadas para o esclarecimento sobre o que foi e o que efectivamente representou esta revolução; que circunstâncias históricas a determinaram; que problemas e contradições se propôs resolver e superar; que classes sociais nela se empenharam e aquelas que realmente beneficiaram com a implantação da República e as políticas do poder; o que tornou possível o avanço da forças mais reaccionárias e o triunfo, apenas 16 anos depois das jornadas históricas de 4 e 5 de Outubro, do golpe militar que abriu caminho a quase meio século de ditadura fascista; e como se projectam nos dias de hoje as lições e experiências da revolução.
A revolução de 1910 culminou num amplo movimento de descontentamento e protesto popular em que o ideário republicano, com as suas promessas de liberdade e justiça social, suscitou uma grande adesão de massas e o derrube da Monarquia e a implantação da República tornou-se um objectivo em que convergiram as aspirações da burguesia liberal, da pequena burguesia, da classe operária, das camadas intermédias da população urbana.
Portugal era, na viragem do século XX, um país economicamente atrasado, essencialmente agrário, com uma indústria incipiente, uma elevadíssima taxa de analfabetismo, um baixo nível de vida. No campo, a grande propriedade latifundiária e absentista do Sul coexistia com o predomínio da pequeníssima propriedade no Centro e Norte do país. Centenas de milhar de portugueses procuravam na emigração, sobretudo no Brasil, o que lhes era negado no seu país. País colonizador, Portugal era simultaneamente um país dependente, sujeito ao domínio estrangeiro, sobretudo da Inglaterra, factores que estrangulavam o seu desenvolvimento. As degradantes condições de vida do povo – salários baixos, longas jornadas de trabalho, ausência de políticas sociais – faziam realçar a decadência e o parasitismo do regime monárquico e a exigência do seu derrube. O significativo processo de industrialização que se verificou nos últimos anos da Monarquia, com o aumento de unidades fabris em Lisboa, Porto e outras regiões do país, e o crescimento correspondente da classe operária, foram acompanhados do desenvolvimento da luta social e contribuíram para a criação das condições que tornaram possível o triunfo da revolução.
Crescentemente isolada e desacreditada, sobretudo após a vergonhosa abdicação que conduziu à revolta de 31 de Janeiro de 1891, e incapaz de enfrentar os graves problemas económicos e sociais do país, a Monarquia responde com a repressão ao desenvolvimento da luta dos trabalhadores e da oposição republicana que, por sua vez, opta pela conquista do poder pela força das armas. Com o decisivo apoio popular, a República é proclamada a 4 de Outubro em vários municípios da região de Lisboa e Margem Sul e a 5 de Outubro na capital. Portugal tornava-se, para honra do povo português, a terceira República da Europa.
A Revolução Republicana de 1910 teve uma forte dimensão popular, triunfou graças à participação dos trabalhadores e das populações de Lisboa e Margem Sul, do Porto e outros centros urbanos, e suscitou grandes esperanças numa vida melhor. Os primeiros tempos da República ficaram marcados por um aumento da iniciativa popular e, em particular, por um ascenso do movimento operário e da luta reivindicativa dos trabalhadores da cidade e dos campos do Sul. Mas sucessivos governos não só esqueceram promessas feitas como responderam às legítimas reclamações dos trabalhadores com a repressão e um ataque violentíssimo ao movimento sindical, prendendo dirigentes, encerrando sindicatos e jornais operários, deportando milhares de activistas. Entrando rapidamente em rota de colisão com o movimento operário e sindical, a República cedo alienou o apoio popular indispensável para consolidar o regime democrático e enfrentar a reacção monárquica e fascista, que, depois de várias tentativas, sempre frustradas pela decisiva mobilização das massas populares, acabou por impor uma ditadura militar 16 anos apenas após o triunfo da revolução.
A Revolução Republicana de 1910, quanto à sua natureza de classe, foi uma revolução democrático-burguesa que cumpriu tarefas que as revoluções liberais de 1820 e 1834 não haviam completado. Com ela as sobrevivências feudais foram fortemente golpeadas, a nobreza e o clero perderam a sua posição dominante, que passou para a burguesia liberal, removeram-se importantes obstáculos ao desenvolvimento capitalista, combateu-se a ignorância e o obscurantismo, implementaram-se reformas positivas em relação à família, aos direitos das mulheres (embora recusando-lhe o direito de voto), e outras.
Mas ao contrário da Revolução de Abril, que liquidou os monopólios e os latifúndios e pôs fim às guerras coloniais, a Revolução Republicana foi essencialmente uma revolução política, «por cima», que deixou praticamente intactas as estruturas económicas e sociais, prosseguiu uma política colonialista e de submissão ao imperialismo. A entrada de Portugal na I Guerra Mundial, que suscitou a oposição dos trabalhadores e as grandes manifestações «da fome», insere-se neste quadro de políticas de classe estranhas aos interesses do povo e do país. Por isso, o PCP sempre sublinhou que a liquidação do fascismo implicava não um «regresso à República» liberal burguesa implantada em 1910, mas a uma revolução democrática e nacional profunda. Por isso, o PCP opôs-se e opõe-se a quaisquer tentativas de, a pretexto da comemoração do centésimo aniversário da Revolução Republicana, desvalorizar e mesmo apagar a Revolução de Abril e o seu lugar cimeiro na História de Portugal, diminuir e atacar os seus valores e realizações, como está a acontecer com a Constituição da República Portuguesa.
O alcance da Revolução Republicana de 1910 foi à partida condicionado pelo atraso das estruturas sócio-económicas, a reduzida expressão da classe operária, a forte influência da ideologia pequeno-burguesa anarquista no movimento sindical, a inexistência do partido revolucionário do proletariado.
Com a fundação do Partido Comunista Português, em 6 de Março de 1921, inicia-se uma nova etapa do movimento operário português – a actuação da classe operária como força social autónoma. Criado sob a influência da Revolução de Outubro e no quadro do afluxo revolucionário na Europa, o PCP é uma criação da classe operária portuguesa, do desenvolvimento da sua luta corajosa, do amadurecimento da sua consciência de classe. Abrindo caminho através de grandes dificuldades, e forçado à clandestinidade apenas cinco anos após a sua criação, o PCP lançou raízes fundas nas massas trabalhadoras, resistiu à violência da repressão, conduziu poderosas lutas populares, tornou-se a grande força da Resistência, da Revolução de Abril, da defesa dos seus valores e conquistas. É esta a verdade histórica. Tentativas para promover o papel da burguesia republicana na luta antifascista e diminuir o papel da classe operária e do PCP não alteram esta realidade.
Pel’A CDU
Cristiano Ribeiro
Álvaro Pinto
Num momento em que passam cem anos sobre a Revolução Republicana de 1910, sublinha-se o significado desta data enquanto marco importante na longa caminhada do povo português pela sua libertação.
A vitória da Revolução Republicana de 1910 pôs fim a um regime monárquico anacrónico e parasitário e realizou importantes progressos no plano das liberdades e direitos fundamentais, da educação e da cultura, da laicização do Estado e dotou o país de uma Constituição avançada para a época, a Constituição de 1911.
Valorizamos tudo quanto de democrático e progressista foi alcançado e combate com firmeza linhas de ataque reaccionárias, que visam justificar o golpe militar de 1926 e a instauração do fascismo e o branqueamento dos seus crimes. Não é por acaso que, sob a bandeira do 5 de Outubro, tiveram lugar importantes jornadas de unidade e resistência anti-fascista. Mas ao mesmo tempo rejeita as visões acríticas e idílicas do republicanismo e da República que predominam nas comemorações oficiais do centenário da Revolução de 1910, reconhecendo os limites desta revolução e do regime que implantou no país.
É neste quadro que, ao longo do ano, o PCP vem assinalando este acontecimento com um variado conjunto de iniciativas orientadas para o esclarecimento sobre o que foi e o que efectivamente representou esta revolução; que circunstâncias históricas a determinaram; que problemas e contradições se propôs resolver e superar; que classes sociais nela se empenharam e aquelas que realmente beneficiaram com a implantação da República e as políticas do poder; o que tornou possível o avanço da forças mais reaccionárias e o triunfo, apenas 16 anos depois das jornadas históricas de 4 e 5 de Outubro, do golpe militar que abriu caminho a quase meio século de ditadura fascista; e como se projectam nos dias de hoje as lições e experiências da revolução.
A revolução de 1910 culminou num amplo movimento de descontentamento e protesto popular em que o ideário republicano, com as suas promessas de liberdade e justiça social, suscitou uma grande adesão de massas e o derrube da Monarquia e a implantação da República tornou-se um objectivo em que convergiram as aspirações da burguesia liberal, da pequena burguesia, da classe operária, das camadas intermédias da população urbana.
Portugal era, na viragem do século XX, um país economicamente atrasado, essencialmente agrário, com uma indústria incipiente, uma elevadíssima taxa de analfabetismo, um baixo nível de vida. No campo, a grande propriedade latifundiária e absentista do Sul coexistia com o predomínio da pequeníssima propriedade no Centro e Norte do país. Centenas de milhar de portugueses procuravam na emigração, sobretudo no Brasil, o que lhes era negado no seu país. País colonizador, Portugal era simultaneamente um país dependente, sujeito ao domínio estrangeiro, sobretudo da Inglaterra, factores que estrangulavam o seu desenvolvimento. As degradantes condições de vida do povo – salários baixos, longas jornadas de trabalho, ausência de políticas sociais – faziam realçar a decadência e o parasitismo do regime monárquico e a exigência do seu derrube. O significativo processo de industrialização que se verificou nos últimos anos da Monarquia, com o aumento de unidades fabris em Lisboa, Porto e outras regiões do país, e o crescimento correspondente da classe operária, foram acompanhados do desenvolvimento da luta social e contribuíram para a criação das condições que tornaram possível o triunfo da revolução.
Crescentemente isolada e desacreditada, sobretudo após a vergonhosa abdicação que conduziu à revolta de 31 de Janeiro de 1891, e incapaz de enfrentar os graves problemas económicos e sociais do país, a Monarquia responde com a repressão ao desenvolvimento da luta dos trabalhadores e da oposição republicana que, por sua vez, opta pela conquista do poder pela força das armas. Com o decisivo apoio popular, a República é proclamada a 4 de Outubro em vários municípios da região de Lisboa e Margem Sul e a 5 de Outubro na capital. Portugal tornava-se, para honra do povo português, a terceira República da Europa.
A Revolução Republicana de 1910 teve uma forte dimensão popular, triunfou graças à participação dos trabalhadores e das populações de Lisboa e Margem Sul, do Porto e outros centros urbanos, e suscitou grandes esperanças numa vida melhor. Os primeiros tempos da República ficaram marcados por um aumento da iniciativa popular e, em particular, por um ascenso do movimento operário e da luta reivindicativa dos trabalhadores da cidade e dos campos do Sul. Mas sucessivos governos não só esqueceram promessas feitas como responderam às legítimas reclamações dos trabalhadores com a repressão e um ataque violentíssimo ao movimento sindical, prendendo dirigentes, encerrando sindicatos e jornais operários, deportando milhares de activistas. Entrando rapidamente em rota de colisão com o movimento operário e sindical, a República cedo alienou o apoio popular indispensável para consolidar o regime democrático e enfrentar a reacção monárquica e fascista, que, depois de várias tentativas, sempre frustradas pela decisiva mobilização das massas populares, acabou por impor uma ditadura militar 16 anos apenas após o triunfo da revolução.
A Revolução Republicana de 1910, quanto à sua natureza de classe, foi uma revolução democrático-burguesa que cumpriu tarefas que as revoluções liberais de 1820 e 1834 não haviam completado. Com ela as sobrevivências feudais foram fortemente golpeadas, a nobreza e o clero perderam a sua posição dominante, que passou para a burguesia liberal, removeram-se importantes obstáculos ao desenvolvimento capitalista, combateu-se a ignorância e o obscurantismo, implementaram-se reformas positivas em relação à família, aos direitos das mulheres (embora recusando-lhe o direito de voto), e outras.
Mas ao contrário da Revolução de Abril, que liquidou os monopólios e os latifúndios e pôs fim às guerras coloniais, a Revolução Republicana foi essencialmente uma revolução política, «por cima», que deixou praticamente intactas as estruturas económicas e sociais, prosseguiu uma política colonialista e de submissão ao imperialismo. A entrada de Portugal na I Guerra Mundial, que suscitou a oposição dos trabalhadores e as grandes manifestações «da fome», insere-se neste quadro de políticas de classe estranhas aos interesses do povo e do país. Por isso, o PCP sempre sublinhou que a liquidação do fascismo implicava não um «regresso à República» liberal burguesa implantada em 1910, mas a uma revolução democrática e nacional profunda. Por isso, o PCP opôs-se e opõe-se a quaisquer tentativas de, a pretexto da comemoração do centésimo aniversário da Revolução Republicana, desvalorizar e mesmo apagar a Revolução de Abril e o seu lugar cimeiro na História de Portugal, diminuir e atacar os seus valores e realizações, como está a acontecer com a Constituição da República Portuguesa.
O alcance da Revolução Republicana de 1910 foi à partida condicionado pelo atraso das estruturas sócio-económicas, a reduzida expressão da classe operária, a forte influência da ideologia pequeno-burguesa anarquista no movimento sindical, a inexistência do partido revolucionário do proletariado.
Com a fundação do Partido Comunista Português, em 6 de Março de 1921, inicia-se uma nova etapa do movimento operário português – a actuação da classe operária como força social autónoma. Criado sob a influência da Revolução de Outubro e no quadro do afluxo revolucionário na Europa, o PCP é uma criação da classe operária portuguesa, do desenvolvimento da sua luta corajosa, do amadurecimento da sua consciência de classe. Abrindo caminho através de grandes dificuldades, e forçado à clandestinidade apenas cinco anos após a sua criação, o PCP lançou raízes fundas nas massas trabalhadoras, resistiu à violência da repressão, conduziu poderosas lutas populares, tornou-se a grande força da Resistência, da Revolução de Abril, da defesa dos seus valores e conquistas. É esta a verdade histórica. Tentativas para promover o papel da burguesia republicana na luta antifascista e diminuir o papel da classe operária e do PCP não alteram esta realidade.
Pel’A CDU
Cristiano Ribeiro
Álvaro Pinto
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
PROTESTOS, MANIFESTAÇÕES E GREVE GERAL
Mais de 50 mil em Lisboa e 20 mil no Porto contra a política de direita
Foram dezenas de milhares de trabalhadores, do sector público e privado, que marcaram presença na manifestação de terça-feira em Lisboa, convocada pela CGTP-IN. Ao longo do percurso, entre a Praça do Marquês de Pombal e a Assembleia da República, os manifestantes reafirmaram as suas justas razões de protesto - contra as injustiças e desigualdades, por emprego com direitos e salários dignos.
Para além das razões gerais, trabalhadores de vários sectores traziam as suas exigências próprias - contra as privatizações, pelo respeito pela contratação colectiva, contra a repressão. No desfile seguiam também activistas da Campanha Paz Sim! NATO Não!, solidários com os trabalhadores em luta e apelando à manifestação de 20 de Novembro, contra a cimeira da NATO em Portugal e seus objectivos militaristas. «Trabalho e Pão! Guerra Não!», gritavam.
No final, após as intervenções de Valter Lóios e Manuel Carvalho da Silva, respectivamente dirigentes da Interjovem e da CGTP-IN, os trabalhadores ficaram ainda mais conscientes da importância de prosseguir a luta
No Porto, cerca de 20.000 manifestantes desfilaram de duas concentrações das Praças dos Leões e da Batalha em direcção á Praça Humberto Delgado e ouviram a intervenção de João Torres, dirigente nacional da CGTP e coordenador da União de Sindicatos do Porto.
JÁ ESTÁ MARCADA A GREVE GERAL NECESSÁRIA.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Assembleia de Freguesia de Castelões de Cepeda
Intervenção na Assembleia de Freguesia de Castelões de Cepeda
Espero que com a minha intervenção nesta Assembleia esteja a contribuir para o melhoramento do bem-estar de todos os habitantes desta freguesia.
1 – A Rua Dr. José Magalhães, situada no centro desta cidade não dispõe de passeios para peões, como também tem o fenómeno de dispor de um lugar de estacionamento automóvel devidamente sinalizado onde há sete (7) anos mora um poste de iluminação.
2 – Na Rua Dr. António Mendes Moreira, existe uma passadeira para peões, onde esta é interrompida por um espaço jardinado, para depois retomar a referida passadeira. Não se entende qual a utilidade da mesma.
3 – Mas como não só existem coisas más, congratulo esta freguesia pelo numero de lugares de estacionamento automóvel para pessoas de mobilidade reduzida que tem sido colocados e aprovados nesta Assembleia. No entanto lembrar que alguns desses lugares ou estão mal situados ou sinalizados e não são minimamente respeitados por falta de civismo ou policiamento.
4 – Apelo ao bom senso do Sr. Presidente desta Junta de Freguesia para os pareceres dados à Câmara Municipal aquando solicitados sobre a alteração ao horário de funcionamento de estabelecimentos de restauração e bebidas, nomeadamente quando estes se inserem em locais residenciais. Pois verifica-se o aumento de casos em que o funcionamento deste tipo de estabelecimentos interfere com os direitos dos cidadãos residentes. O direito ao sossego, descanso, privacidade e o bem-estar.
Castelões de Cepeda, 28 de Setembro de 2010-09-29
José Paulo Leal Ferreira
Espero que com a minha intervenção nesta Assembleia esteja a contribuir para o melhoramento do bem-estar de todos os habitantes desta freguesia.
1 – A Rua Dr. José Magalhães, situada no centro desta cidade não dispõe de passeios para peões, como também tem o fenómeno de dispor de um lugar de estacionamento automóvel devidamente sinalizado onde há sete (7) anos mora um poste de iluminação.
2 – Na Rua Dr. António Mendes Moreira, existe uma passadeira para peões, onde esta é interrompida por um espaço jardinado, para depois retomar a referida passadeira. Não se entende qual a utilidade da mesma.
3 – Mas como não só existem coisas más, congratulo esta freguesia pelo numero de lugares de estacionamento automóvel para pessoas de mobilidade reduzida que tem sido colocados e aprovados nesta Assembleia. No entanto lembrar que alguns desses lugares ou estão mal situados ou sinalizados e não são minimamente respeitados por falta de civismo ou policiamento.
4 – Apelo ao bom senso do Sr. Presidente desta Junta de Freguesia para os pareceres dados à Câmara Municipal aquando solicitados sobre a alteração ao horário de funcionamento de estabelecimentos de restauração e bebidas, nomeadamente quando estes se inserem em locais residenciais. Pois verifica-se o aumento de casos em que o funcionamento deste tipo de estabelecimentos interfere com os direitos dos cidadãos residentes. O direito ao sossego, descanso, privacidade e o bem-estar.
Castelões de Cepeda, 28 de Setembro de 2010-09-29
José Paulo Leal Ferreira
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sábado, 25 de setembro de 2010
Série Filmes Rascas -(retirado de o Cantigueiro)
Série “Filmes Rascas”
Sócrates admite demissão do Governo se Orçamento não for aprovado
Demissão do executivo poderia levar o PR a «provocar formação de governo de coligação»
PCP critica «dramatização» do Governo
Comentário: de como se pode ver (pelo menos alguns vêem) como um argumento indigente, com uma realização e encenação medíocres, se torna um espectáculo miserável e degradante.
Desgraçadamente, somos obrigados a assistir e pagar bilhetes... cada vez mais caros!
Sócrates admite demissão do Governo se Orçamento não for aprovado
Demissão do executivo poderia levar o PR a «provocar formação de governo de coligação»
PCP critica «dramatização» do Governo
Comentário: de como se pode ver (pelo menos alguns vêem) como um argumento indigente, com uma realização e encenação medíocres, se torna um espectáculo miserável e degradante.
Desgraçadamente, somos obrigados a assistir e pagar bilhetes... cada vez mais caros!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
DUAS FRASES HUMORÍSTICAS QUE SÃO UM INCENTIVO A UMA MUDANÇA A VALER
"Sou totalmente a favor do casamento gay entre alguns dos nossos actuais políticos.
Tudo o que contribuir para eles não se reproduzirem, é bom para o País. "
“A maioria dos políticos portugueses são católicos praticantes.
Nunca assinam nada sem terem um terço na mão”
Tudo o que contribuir para eles não se reproduzirem, é bom para o País. "
“A maioria dos políticos portugueses são católicos praticantes.
Nunca assinam nada sem terem um terço na mão”
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Politica Económica e Endividamento
VERTIGINOSO E ALUCINANTE
Nos primeiros sete meses de 2010 a Dívida Directa do Estado Português sofreu um acréscimo de 2,65 milhões de euros por hora .
O jornal Público informa agora (3/Setembro) que em Agosto o governo Sócrates efectuou mais seis emissões de títulos da dívida pública, que perfazem um montante total de 5.272 milhões de euros . O ritmo do endividamento continua, portanto, em ritmo alucinante e vertiginoso — enquanto a economia portuguesa passa da estagnação ao declínio.
Para onde vamos? Até quando pode durar esta orgia de endividamento? Quais as suas consequências para a geração presente e as futuras? Quando é que se põe cobro a esta selvageria económica? Por que é que o economista que preside a República não se manifesta? Por que é que quase ninguém fala no assunto? A austeridade do PEC é só para os assalariados? As despesas desbragadas do governo Sócrates podem continuar até arrebentar o país? Por que é que ninguém ousa defender o cancelamento de projectos ruinosos como o novo aeroporto, o TGV, a terceira ponte sobre o Tejo, o novo Hospital de Todos os Santos, obras rodoviárias inúteis e tantos outros? Por que é que os media corporativos, que se comprazem em fait divers abjectos, não falam das coisas sérias? Por que não há uma reacção nacional para pôr cobro a esta destruição da economia portuguesa?
Perguntas angustiantes que continuam sem resposta.
(em resistir.info)
Nos primeiros sete meses de 2010 a Dívida Directa do Estado Português sofreu um acréscimo de 2,65 milhões de euros por hora .
O jornal Público informa agora (3/Setembro) que em Agosto o governo Sócrates efectuou mais seis emissões de títulos da dívida pública, que perfazem um montante total de 5.272 milhões de euros . O ritmo do endividamento continua, portanto, em ritmo alucinante e vertiginoso — enquanto a economia portuguesa passa da estagnação ao declínio.
Para onde vamos? Até quando pode durar esta orgia de endividamento? Quais as suas consequências para a geração presente e as futuras? Quando é que se põe cobro a esta selvageria económica? Por que é que o economista que preside a República não se manifesta? Por que é que quase ninguém fala no assunto? A austeridade do PEC é só para os assalariados? As despesas desbragadas do governo Sócrates podem continuar até arrebentar o país? Por que é que ninguém ousa defender o cancelamento de projectos ruinosos como o novo aeroporto, o TGV, a terceira ponte sobre o Tejo, o novo Hospital de Todos os Santos, obras rodoviárias inúteis e tantos outros? Por que é que os media corporativos, que se comprazem em fait divers abjectos, não falam das coisas sérias? Por que não há uma reacção nacional para pôr cobro a esta destruição da economia portuguesa?
Perguntas angustiantes que continuam sem resposta.
(em resistir.info)
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Carta dirigida ao Grupo Parlamentar do PCP
Âmbito: Reclamação
Nome:
Mensagem: Exmºs Senhores:
É insuportável a situação provocada pela Etar de Castelões de Cepêda. Os cheiros pútridos que diariamente se fazem sentir, não permitem que tenhamos uma janela ou porta abertas. Não podemos respirar. Neste momento são insuportáveis os cheiros. Aliás, a descarga das águas da ETAR
para o rio Sousa, mostra o seu deficiente funcionamento. O rio Sousa, a montante da ETAR tem a sua água límpida. A jusante, muda completamente. Este rio é um afluente do rio Douro que, por sua vez, abastece de água a Porto e concelhos limitrofes, através da empresa de águas Douro e Paiva.
Acontece isto a qualquer hora do dia e da noite. Já foram apresentadas inúmeras reclamações e feitos pedidos de ajuda quer junto da Veólia - Águas de Paredes, quer junto do ministério do ambiente - através de e-mail -, de nada valendo. Continua a mesma situação.
Pede-se ajuda.
(omite-se o nome e o contacto telemóvel
salienta-se as inúmeras diligências da organização local de Paredes do PCP)
Nome:
Mensagem: Exmºs Senhores:
É insuportável a situação provocada pela Etar de Castelões de Cepêda. Os cheiros pútridos que diariamente se fazem sentir, não permitem que tenhamos uma janela ou porta abertas. Não podemos respirar. Neste momento são insuportáveis os cheiros. Aliás, a descarga das águas da ETAR
para o rio Sousa, mostra o seu deficiente funcionamento. O rio Sousa, a montante da ETAR tem a sua água límpida. A jusante, muda completamente. Este rio é um afluente do rio Douro que, por sua vez, abastece de água a Porto e concelhos limitrofes, através da empresa de águas Douro e Paiva.
Acontece isto a qualquer hora do dia e da noite. Já foram apresentadas inúmeras reclamações e feitos pedidos de ajuda quer junto da Veólia - Águas de Paredes, quer junto do ministério do ambiente - através de e-mail -, de nada valendo. Continua a mesma situação.
Pede-se ajuda.
(omite-se o nome e o contacto telemóvel
salienta-se as inúmeras diligências da organização local de Paredes do PCP)
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
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